Projeto de Ensino: Como executa-lo de forma significativa?
“O saber que não vem da experiência não é realmente saber”
Lev Vygstsky
Ivete Geane de Morais Barra
Em nossa cultura, não é absolutamente estranho “realizar projetos”. Ao contrario, essa é uma maneira de ser que parece se impor a todos, mesmo aqueles que não tem recursos ou vocação para isso. No sentido etimológico, o termo projeto vem do latim projectu, particípio passado do verbo projicere, que significa lançar para adiante. Plano, intento, desígnio. Empresa, empreendimento. Redação Provisória de Lei. Plano geral de edificação (Ferreira 1975, p. 1.144).
A metodologia de projetos tem sido alvo de discussões e estudos na intenção de que possa vir a ser condição para uma pratica pedagógica eficiente e promovedora da aprendizagem. O termo Projeto surge numa forma regular no decorrer do século XV, tanto nas exatas como nas ciências humanas. Múltiplas atividades de pesquisas orientadas para a produção de conhecimentos são balizadas graças à criação de projetos prévios. Mesmo assim, utilizar dessa metodologia em nossas salas de aula ainda é bastante recente em nossa realidade.
Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contem de estado melhor do que presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo sues atores e autores (Godatti 1994, p.579).
Projeto passou a ser uma palavra de ordem a partir da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1996, como uma opção metodológica que considera a atuação do educando na construção do seu próprio conhecimento valorizando suas experiências, seus conhecimentos prévios e a interação professor/aluno (...) (PCN – Introdução – vol. 1). Diante dessa necessidade de dar coerência a diversas atividades de aprendizagem realizadas na sala de aula, algumas escolas passaram a organizar seus trabalhos em torno do que se denominam Projetos. Isto é, articula-se um trabalho complexo e prolongado que culmina num produto que acaba naturalmente sendo uma publicação: mural, documento, etc. desnecessário dizer que esse tipo de organização da atividade contempla alguns aspectos motivacionais como a possibilidade de dar sentido ao trabalho escolar e significado as tarefas incentivando o trabalho cooperativo dos alunos em todas as fases de realização do projeto.
Há diferentes caminhos que podem levar a construção de um projeto, mas na maioria das vezes a escola publica e grandes redes confessionais possuem uma lógica bem diferente. Mesmo quando as escolas se construíram de forma autônoma, sua integração a rede leva-as a renunciarem a sua independência e a funcionarem sob regras e mandato.
Por muito tempo, certas organizações escolares dissuadiram os estabelecimentos de terem um projeto, temendo que escapassem da autoridade central. Em geral, deseja-se que o projeto das instituições emane do corpo docente. Acreditava-se que tudo deveria partir das decisões do professor, e a ele, ao controle, devera retornar. Como se o professor pudesse dispor de um conhecimento único e verdadeiro para ser transmitido ao estudante e só a ele coubesse decidir o que, como e com que qualidade devera ser aprendida. Não se da oportunidade ao aluno para qualquer escolha ou tomada de decisão, espera-se sua total submissão a regras impostas pelo sistema.
Daí surge os “Projetos de Ensino”. Decisões hierárquicas coordenadas pelo professor satisfazendo uma seqüência de conteúdos restringindo o aluno a um mero receptor das informações subjugando dessa forma uma característica natural das crianças de perguntadoras que elas adquirem logo que aprendem a falar. Quando iremos nos dar conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano esta sendo atropelado pela escola e pelas praticas equivocadas de ensino? Que ao invés de domesticarmos essas crianças devemos ajudá-las a aprender e a continuar aprendendo, mas, com entusiasmada por explorações e descobertas, sem deixar de ser um ser humano curioso, inventivo e confiante em suas capacidades.
Aprendizagem por Projeto ou Ensino por Projeto?
Com tudo isso não se pode concluir que não devemos usar a metodologia de projetos. Temos resultados significativos mostrados através de artigos, revistas e depoimentos de professores e colaboradores sobre essa pratica. Destacando que o aluno (principalmente dos anos iniciais) possui competências para formular e equacionar problemas desde que lhe seja permitido expressar suas duvidas e questões, é o professor, ciente dessa realidade, que vem modificando sua pratica deixando de trabalhar o Projeto de Ensino para dar lugar ao Projeto de Aprendizagem. Então nos perguntamos: qual a diferença?
A proposta de trabalho com Projetos de Ensino parte de um tema proposto pelo professor, ou grupo de professores, e requer uma série de etapas que envolvem o aluno como pesquisador, contando com o professor como aquele que “completo” a informação.
A maioria dos Projetos de Ensino é desenvolvida a partir de programas cuja origem é fora da escola, e são considerados como método inovador por mobilizarem uma série de ações que envolvem alunos, grupo gestor, administrativo, a comunidade e professores, sendo esses os agentes responsáveis pelas propostas de atividades, seleção de materiais, distribuição de tarefas e organização da apresentação dos produtos finais.
A finalização dos Projetos de Ensino costuma acontecer de forma que o objeto e produto de estudo, uma vez assimilados, possam ser socializados, e que o conhecimento decorrente do processo promova conscientização e mudanças de atitudes em favor do bem estar da comunidade. Nos Projetos de Ensino, embora haja uma atuação maior dos alunos quanto à busca da informação, a ação do professor é indispensável no planejamento do trabalho, seleção, análise e organização, uma vez que a aprendizagem pretendida com o desenvolvimento do Projeto está voltada para o conteúdo programado, ou para um determinado tema que possa fazer relação com o mesmo. Além disso, os conteúdos do conhecimento têm caráter histórico, cujo acesso se faz pela mediação daqueles que historicamente já os incorporaram. Dessa forma, requer ações específicas e orientadas pelo professor para a assimilação do determinado objeto de estudo visando a aprendizagem “controlada” do que o sistema avalia que o aluno deva possuir, deixando de lado os conhecimentos prévios dos alunos. Projetos prontos como: O folclore, Os animais, A páscoa tão comuns no nosso cotidiano escolar.
Um projeto para aprender deve ir alem dessas datas comemorativas, ele deve ser coordenado pelos alunos e professores individualmente e, ao mesmo tempo, em cooperação, partindo da curiosidade do aluno que pode e deve definir o que gostaria de estudar e como encontrar meios para satisfazer suas duvidas e curiosidades (mesmo que gerem outras ainda maiores).
O professor possui autonomia para essa mudança? O papel do professor nesse novo processo é o de orientador, favorecendo e construindo no aluno uma postura critica disciplinada, questionadora e pesquisadora quanto ao seu objeto de estudo. Essa mudança de atitude requer do professor uma melhor capacitação e motivação. Na revista Nova Escola nº198 dezembro de 2006 da editora Abril pudemos observar como um professor, seja de qualquer região pode fazer essa diferença, possuindo uma capacidade impar em desenvolver um projeto para aprender, envolvendo toda comunidade escolar. Claro que isso não é um processo simples, mas acredito que deva partir do professor esse interesse em provocar mudanças e para isso ele deve este capacitado para vencer as adversidades do nosso dia-a-dia na escola.
Durante meu período de estagio de regência em uma Escola da Rede Municipal de Ensino na cidade de Mossoró, estado do Rio Grande do Norte, pude constatar como os professores buscam de todas as formas burlarem as regras impostas pelo sistema em busca de uma aprendizagem mais significativa dos seus alunos. Mesmo usando os Projetos de Ensino a escola valoriza essa postura do professor em ser criativo capacitando-o para uma pratica mais eficaz como afirma Veiga e Carvalho:
O grande desafio da escola, ao construir sua autonomia, deixando de lado seu papel de mera “repetidora” de programas de “treinamento”, é ousar assumir o papel predominante na formação dos profissionais (1994, p.50).
Na escola em questão, os professores possuem uma boa equipe pedagógica que facilita o trabalho em equipe e em consonância a aprendizagem do aluno. Tendo em vista essa característica, realizei minha pratica centrada no desenvolvimento do aluno como um todo, mas mesmo assim, senti uma grande dificuldade para definir minha pratica de ensino logo que defendo uma metodologia onde os projetos são fatores fundamentais no acesso da aprendizagem real do aluno. Mesmo demonstrando essa postura sócio-construtivista, a escola ainda possui enraizada em sua pratica uma ênfase nos conteúdos e horários rígidos, seguindo a risca determinações políticas que regem o ensino.
Diante desses fatores, percebe-se em evidencia a importância de o professor tomar conhecimento de novas pratica de ensino. Este texto busca sanar algumas duvidas e subsidiar professores e gestores quanto ao favorecimento da Pedagogia por Projetos de Aprendizagem buscaremos aqui explicitarmos um pouco mais sobre essa pratica inovadora e trazer essa problemática ao conhecimento dos professores e de toda equipe pedagógica, dessa forma, já me sentirei satisfeito em ser o promovedor dessa reflexão.
Qualquer aluno, independentemente da série em que se encontre, pode desenvolver projetos de aprendizagem. Num projeto de aprendizagem é o aluno que escolhe o tema que deseja estudar ou investigar. Esse tema não precisa estar vinculado a uma disciplina que esteja cursando ao fazer sua escolha - nem a mais de uma. Ele é simplesmente um assunto (uma questão, um problema) que ele gostaria de estudar ou pesquisar. Ao tentar responder à sua pergunta ou resolver o seu problema, o aluno certamente vai precisar de informações e conhecimentos que normalmente fazem parte das diversas áreas do conhecimento (que são o núcleo das disciplinas) - mas essas informações e esses conhecimentos serão buscados apenas quando forem necessários ou relevantes para o projeto do aluno - e apenas por causa dessa necessidade ou relevância, não porque fazem parte de disciplinas curriculares que precisam ser estudadas.
Muitas vezes, com a boa intenção de ajudar, os professores acabam oferecendo ao aluno roteiros de trabalho que prescrevem o que eles devem estudar do conteúdo das diversas disciplinas curriculares, para poder responder à sua pergunta ou resolver o seu problema. Com isso perdem uma excelente oportunidade de deixar que o aluno explore os diversos itinerários que podem ser seguidos para responder a uma pergunta ou solucionar um problema, entendendo que, nesse processo, precisa buscar informações onde estiverem - livros texto, outros livros na biblioteca, revistas, Internet, entrevistas com especialistas (entre os quais podem se incluir os professores das disciplinas), observação da realidade etc. - e, de posse dessas informações, procurarem analisá-las e organizá-las com o intuito de derivar delas uma resposta aceitável à sua pergunta ou à solução do seu problema.
Assim que um aluno formula uma questão podemos estar diante de um potencial projeto de aprendizagem. O projeto de aprendizagem não precisa necessariamente ser interdisciplinar, podendo envolver apenas uma disciplina. No entanto, isso dificilmente acontece, porque a maior parte das questões interessantes que crianças e jovens formulam, ou a maior parte dos problemas interessantes que despertam a sua atenção, é levantada ou formulada antes mesmo que os alunos tenham conhecimento dos escaninhos ou casulos artificiais que o mundo acadêmico criou para classificar e ordenar o conhecimento: as disciplinas. Assim, mesmo que a questão ou o problema que o aluno estuda ou investiga transcenda os limites disciplinares, a probabilidade é alta que, para responder à sua questão ou resolver o seu problema, o aluno tenha de recorrer a informações que fazem parte da área de mais de uma disciplina.
O papel de problematizador e orientador é um papel que todo professor (e mesmo todo educador) deve exercer todo o tempo - mesmo quando não estiver envolvido em ajudar o aluno a definir ou programar seu projeto de aprendizagem. O papel básico do professor é orientar o aluno - e problematizar é uma forma importante de orientar e, portanto, de facilitar o processo de aprendizagem do aluno. Sua função é ajudar o aluno na busca de respostas para a sua pergunta ou soluções para o seu problema, alimentando, assim, o interesse demonstrado pelo aluno. Além disso, ele poderá ajudar o aluno a comparar, analisar e interpretar as informações que coletar. A aprendizagem se constrói por meio da interação - no caso da escola, quando o aluno conversa, discute, é criticado, critica - não só pelos seus pares, mas também pelo professor. Este é parte essencial do processo - mas ele deixa de ser mera fonte de informações, para assumir o papel de orientador, de problematizador, de facilitador da aprendizagem do aluno.
As novas tecnologias facilitam o acesso à informação, à comunicação, à aprendizagem colaborativa e à disponibilização de idéias. Assim sendo, facilitam enormemente a execução de um projeto de aprendizagem. Mas não são indispensáveis. Elas facilitam o acesso à informação, à comunicação, à aprendizagem colaborativa e à disponibilização de idéias. Mas, além disso, há uma segunda contribuição: as novas tecnologias tornaram possíveis novas formas de escrita e leitura. Nessas novas formas, o texto deixa de ser linear e passa a ser um texto organizado, por quem escreve, na forma de blocos de texto interconectados através de elos (links), permitindo, assim, que quem lê o faça percorrendo itinerários diversos, muitas vezes nem sequer imaginados pelo autor. Por fim, numa terceira contribuição, as novas tecnologias tornaram muito mais fácil elaborar textos coletivos, em que vários autores colaboram no desenvolvimento de uma idéia. O produto resultante pode ser um desses textos não lineares (chamados de hipertextos) ou pode até mesmo ser um texto mais convencional, linear. As novas tecnologias hoje permitem que um livro convencional, linear, seja escrito a várias mãos por pessoas que, muitas vezes, nunca sequer se encontraram face-a-face. O conhecimento, hoje, se constrói e se dissemina em rede - e a Internet é a maior de todas as redes. A Internet se tornou o maior repositório de informações e conhecimentos que jamais existiu. Nenhum texto, nenhuma imagem, nenhum clip de som ou de vídeo se perde ou se extingue. As informações são aproveitadas e reaproveitadas o tempo todo.
No trabalho com projetos de aprendizagem, todo o processo é importante e cada etapa permite que o aluno desenvolva uma série de competências e habilidades. Hoje, porém, a busca de informações talvez seja a etapa mais simples (embora não por isso menos importante) do processo. Atualmente a disponibilidade de informações na sociedade é imensa, e o acesso às diversas fontes de informação é fácil. Por isso, no que diz respeito à matéria prima necessária para que o aluno possa responder à pergunta que ele formulou ou resolver o problema que definiu a escola não precisa mais focar sua atuação na transmissão ou disseminação de informações, podendo e devendo dar atenção a outros aspectos da aprendizagem do aluno - como, por exemplo, a seleção das informações pertinentes que são confiáveis, sua organização, sua análise, o processo crítico (que envolve interação e colaboração) de extrair de um conjunto de informações uma resposta a uma pergunta ou uma solução para um problema. Assim, deixa de ser papel primordial do professor ficar simplesmente repassando informações aos alunos. Suas ações mais importantes se concentram em ajudar o aluno a desenvolver suas competências e habilidades, porque é nisso que consiste a aprendizagem mais importante (e difícil) do aluno. Buscar informações é, hoje, algo relativamente fácil (o que não significa, porém, que seja menos importante).
Com isso, a etapa de busca de informações, durante a construção de um projeto de aprendizagem, deixa de ser a fase mais desafiadora (e, nesse sentido, importante). O que fazemos com a informação encontrada passa a ser o passo mais crucial. A avaliação e a seleção da informação, a organização e a análise do que foram encontrados, os processos de interação e colaboração que levam à resposta da questão ou à solução do problema, tudo isso é, hoje, mais desafiador e importante do que a simples busca de informações.
No plano teórico e ideal, a metodologia de projetos de aprendizagem tem seu foco no desenvolvimento de competências e habilidades, não na absorção de conteúdos curriculares. Sendo assim, não há, nesse plano, uma relação direta da metodologia de projetos de aprendizagem com conteúdos curriculares, pois essa metodologia rejeita a noção de que todas as crianças devam aprender os mesmos conteúdos curriculares. Os conteúdos curriculares passam a ser ferramentas para o desenvolvimento de competências e habilidades e estarão vinculados apenas aos interesses dos alunos. Conteúdo curricular é algo que se busca, quando necessário ou relevante no contexto de um projeto de aprendizagem: não é algo que se transmite, de forma generalizada, a todos os alunos. Assim, muda o foco de atuação da escola.
No plano prático, e levando em conta as condições reais que limitam a atuação da escola, é preciso reconhecer que os conteúdos disciplinares que compõem o currículo vão ainda ocupar um papel importante nas atividades escolares, ainda que se reconheça, no plano teórico e ideal, sua subserviência ao desenvolvimento de competências e habilidades. Por outro lado, é necessário reconhecer que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são um avanço em relação a um currículo centrado exclusivamente na transmissão de conteúdos disciplinares, pois enfatizam a importância dos seguintes eixos:
- participação da escola no desenvolvimento das competências e habilidades dos alunos e da introdução dessa preocupação no âmbito de cada disciplina;
- introdução no currículo, de forma transversal, de grandes temas que transcendem os limites, em geral estreitos, das diferentes disciplinas;
- contextualização, na realidade e nos interesses dos alunos, dos tópicos abordados pelas diferentes disciplinas.
No entanto, o desenvolvimento de competências e habilidades é proposto dentro da matriz curricular disciplinar, os grandes temas são introduzidos de forma transversal, sempre que for possível, e a contextualização é mais sugerida do que plenamente operacionalizada. Assim, apesar dos avanços, os PCNs não chegam ao ponto de sugerir a substituição da grade curricular centrada em disciplinas por um currículo centrado no desenvolvimento de competências e habilidades. Assim sendo, enquanto esses parâmetros vigorarem, será preciso compatibilizar o desenvolvimento de competências e habilidades com a transmissão do essencial da grade curricular centrada na transmissão de conteúdos disciplinares. Essa compatibilização pode ser feita de várias maneiras:
- reduzindo ao mínimo a carga horária das disciplinas constantes do currículo para gerar tempos (e, por conseguinte, espaços curriculares) nos quais os alunos possam trabalhar com projetos de aprendizagem de seu interesse, que possam ser usados para o desenvolvimento de competências e habilidades;
- viabilizando, sempre que possível, o trabalho colaborativo dos professores, em parceria, para o desenvolvimento de temas comuns às suas áreas de especialização, nos quais os alunos possam vir a se interessar com vistas à elaboração de seus projetos de aprendizagem, individuais ou coletivos, como, por exemplo, o meio ambiente, a sexualidade, a saúde, a economia, a violência, a guerra etc. (tópicos em geral abordados interdisciplinarmente como "temas transversais");
- usando as horas destinadas ao uso do laboratório de informática, dos laboratórios de ciências, do museu de ciências etc., de forma a fomentar o desenvolvimento de projetos de aprendizagem;
- dando ênfase, no seio das disciplinas, mais aos aspectos metodológicos do que ao conteúdo, propriamente dito, mostrando, assim, como as várias disciplinas vêem e praticam a pesquisa e a investigação (que são tentativas de responder a perguntas e de resolver problemas), pois essa abordagem pode ser extremamente útil no desenvolvimento de projetos de aprendizagem dos alunos.
Essas medidas podem ser incentivadas dentro da flexibilidade que a legislação e os PCNs permitem, de modo à gradativamente "subverter" a educação tradicional que está embutida na ênfase no currículo orientado para a transmissão de conteúdos disciplinares.
A avaliação deverá acontecer durante todo o processo, tendo como foco o desenvolvimento dos quatro conjuntos de competências básicas, a saber: pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas. A avaliação deve ser uma ferramenta de aprendizagem para o aluno, na medida em que oportuniza a reflexão sobre como ele está aprendendo. A avaliação deverá ser feita tendo como parâmetros indicadores baseados nos quatro conjuntos de competências mencionados, indicadores esses formulados com clareza e precisão, para que o processo seja transparente. Isso deve ser feito, porém, sem tentar padronizar a aprendizagem dos diferentes alunos, mas, ao contrário, contemplando as diferenças individuais e o ritmo próprio de cada um. É essencial lembrar que o processo de avaliação inclui não só a avaliação do aluno pelo professor ou mesmo pelo grupo de professores, mas, também, a avaliação do trabalho de cada aluno por si mesmo e pelos colegas, tornando o processo de avaliação mais uma etapa no processo de aprendizagem colaborativa do grupo.
Considerações finais
A busca de soluções para as questões que estão sempre surgindo no meio educacional, configura a atitude e a conduta de verdadeiros pesquisadores.
Em todo processo educativo levantamos duvidas e encontramos certezas provisórias, porque o processo de construção é continuo. Quando analisamos a pratica pedagógica de qualquer professor, observamos que por trás de cada ação há sempre um conjunto de idéias que os orienta. Mesmo quando ele não tem consciência dessas idéias, ou teorias, elas estão presentes.
Verifica-se a importância do professor pesquisador diante das novas praticas educacional. O professor necessita cada vez mais se “reciclar” e estar aberto para novos saberes. Dada à abrangência dos assuntos aqui discutidos, espera-se que o leitor não se satisfaça somente com essa leitura, mas que adquira a curiosidade perguntadeira de uma criança e busque mais subsídios para melhorar cada vez mais sua pratica educativa e em consonância a aprendizagem do aluno.
Bibliografia.
Didática, Currículo e Saberes escolares/Vera Maria Candau (org.) Rio Janeiro: DP&A, 2001. 2ª edição.
FAGUNDES, Lea da Cruz - co-autores: Luciane Sayuri Sato/ Débora Laurino Maçada “Aprendizes do Futuro: As inovações começaram”.
Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais/ Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3ªed. – Brasília: A secretaria, 2001.
VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Educação básica: Projeto Político-Pedagogico. Educação superior: Projeto Político-Pedagogico/ Ilma Passos Alencastro Veiga – Campinas, SP: Papirus, 2004 (coleção magistério: formação e trabalho pedagógico).
Revista Nova Escola. Nº. 198, dezembro de 2006.
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