segunda-feira, 25 de junho de 2007

Artigo sobre o Projeto Alfabetização Letrada.

Leitura e escrita: como desenvolver essas competências nos alunos dos anos iniciais.


Ivete Geane de Morais Barra


Partindo da concepção que o aluno alfabetizado não é aquele que somente domina o código lingüístico e que ele precisa ter acesso a diversificados tipos de textos e culturas para se transformar num leitor e produtor de textos, o professor possui um papel fundamental nesse processo.
Muitos professores baseiam sua pratica pedagógica na repetição de exercícios “as atividades tradicionais de ensino”, esperando sempre do aluno um conformismo diante do autoritarismo do professor. Atualmente, diante das reflexões sobre essa pratica, verifica-se que o exercício pelo exercício, o conteúdo desinteressante e essa postura do professor não garantem necessariamente uma aprendizagem significativa da leitura e da escrita.
O aluno não aprende a ler e escrever só produzindo textos, ele precisa também refletir sobre a sua escrita. O trabalho com produções de textos deve ser bem planejado pelo professor através de uma “rotina” que contemplem a leitura silenciosa, a leitura em voz alta, leitura por prazer de diversificados tipos de textos que sejam interessantes e prazerosos para o aluno, valorizando sempre sua oralidade.



Atividades: significativas, produtivas e desafiadoras.

As atividades dos alunos devem sempre ter um objetivo claro, sempre culminando em um recital, exposição, um mural e etc. para que o aluno adquira desde cedo desembaraço ao falar em publico, sabendo expor idéias e conclusões, através de estratégias que contemplem o trabalhando individualmente e em grupos, aprendendo dessa forma a interagir com as diferenças, respeitando as opiniões dos outros e ouvindo-as. As atividades que promovem a construção dessas habilidades caracterizam-se por serem significativas, produtivas e desafiadoras.
Significativas quando propõe um desafio que a criança tem condições de enfrentar e resolver com os colegas, com o professor ou mesmo sozinho. Produtiva quando revela o conhecimento que ela tem e esta construindo, passando do estado de quem ainda não aprendeu para o de quem já aprendeu a aprender. E desafiadora quando apresenta algumas dificuldades que devem ser dosadas muito bem pelo professor para que as crianças não realizem com muita facilidade, mas que também não sejam tão difíceis fazendo-as desistir da tarefa. O papel do professor é o de mediar esse conhecimento de modo que as crianças possam desenvolver suas habilidades com autonomia, lembrando que o mais importante não é fazer a tarefa, mas saber o porquê e como fazer.

Interpretando os textos.

O trabalho escolar, tradicionalmente contempla na leitura de textos tipos de questionamentos sobre o conteúdo ou sobre a estrutura do texto, não priorizando a analise do discurso. Desenvolver um processo de ensino aprendizagem da leitura através de questionamentos conteudístas é levar o aluno a compreender a mensagem do texto sem criatividade e a responder questões referentes ao conteúdo. Da mesma forma ocorre com as questões de estrutura textual. Já as questões discursivas visam discutir, analisar e refletir sobre o texto. O professor que considera os três enfoques da oportunidade aos alunos de interpretarem o real significado dos textos.
Perceber a escrita como um processo e não como um produto é um salto no processo de alfabetização do aluno. Mas como promover essa alfabetização? Textos ricos em idéias, mas expressivos com conflito, clímax e desfecho é possível ser produzidos pelos alunos dos anos iniciais? Em geral os alunos produzem textos com frases soltas, sem coesão e sem criatividade onde o aluno não elabora, não cria, relatam acontecimentos. Que fatores podem estar influenciando as más produções de textos dos alunos? Nesse momento o professor percebe a influencia da má elaboração dos enunciados. Não devemos pedir aos alunos que produzam textos dando simplesmente um tema, um título ou assunto. É preciso estabelecer uma situação e uma relação com o que se esta trabalhando, esse processo terá conseqüências na avaliação da qualidade do texto produzido pelo aluno.
Toda proposta feita pelo professor deve ser muito bem planejada. Ao trabalhar uma proposta de escrita o professor deve primeiro diagnosticar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o assunto. Pedir a uma criança que escreva sobre uma visita a um circo quando a mesma nunca foi a um é no mínimo sem coerência. O professor como mediador do conhecimento deve ficar atento a isso, priorizando as produções qualitativas e quantitativamente diferentes. A diferença entre as “boas” e “más” produções esta no recurso empregado para desencadear e expressar as idéias em torno de um tema.

Como corrigir e avaliar.

A escrita livre do aluno deve ser ponto de partida para que se desenvolva um bom trabalho de avaliação através de propostas bem elaboradas pelo professor e em harmônico com a idade do aluno e seu nível de desenvolvimento, sem menosprezar seus conhecimentos prévios, ampliando desde cedo nas crianças o habito de ler seus próprios textos e do refazimento/reescrita do texto com objetivo de analisá-lo e melhora-lo para que haja coesão (seqüência das idéias), coerência (harmonia ou ligação entre os acontecimentos) e que não ocorra redundância (repetições da mesma idéia com outras palavras) e má formação de texto na pagina refletindo sobre sua própria ortografia, organização, qualidade textual, como também, aperfeiçoa-los através dos seus rascunhos, suas auto correções (tem o objetivo de corrigir somente as palavras), a reestruturação (possibilita o aluno refletir sobre a forma interferindo no conteúdo), refacção (consiste em fazer intervenções para mudar, melhorar o conteúdo do texto), a reconstrução (modifica o conteúdo do texto) e a auto avaliação (refletir sobre a escrita para poder alterá-la) conseguindo evidenciar uma postura critica ao ler o texto dos colegas e conseguindo ir mais alem ao criar seus próprios questionamentos sobre os textos que lê e produz usando dessa forma estratégias leitoras de seleção, predição e inferência.
O projeto Alfabetização Letrada foi desenvolvido pensando nesses aspectos discutidos no texto, como forma de subsidiar professores que se interessa em promover essa aprendizagem significativa no aluno dos anos iniciais mostrando que todos são capazes de desenvolver suas potencialidades desde que lhe sejam dados meios para que isso ocorra.




Referências bibliográficas


NASPOLIN, Ana Tereza. Didática de Português: Tijolo por Tijolo: Leitura e Produção Escrita. São Paulo: FTD, 1996. (Conteúdo e Metodologia).

0 comentários: